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Problemas de pele mais comuns na raça Bulldog Inglês


A pele é o maior órgão do corpo e a barreira anatomofisiológica mais importante entre o animal e o ambiente. Fornece proteção contra lesão física , química e microbiológica e seus componentes sensoriais percebem calor, frio, dor, prurido(coceira), toque e pressão. Além disso, é sinérgica com os sistemas orgânicos internos e, portanto, reflete processos patológicos que são primários ou compartilhados com outros tecidos.

A pele saudável pode sofrer alterações e apresentar uma dermatopatia que tem por definição moléstias da pele, que podem ser divididas em parasitárias, imunomediadas, infecciosas, metabólicas, endócrinas, psicogênicas, congênitas/hereditárias e inespecíficas.



O Bulldog Inglês possui predisposição a dermatopatias como: atopia, atopia sazonal do flanco, dermodicose, displasia folicular não ligada a cor, pododermatite, entre outras.


Atopia

A definição ocorre pela predisposição a se tornar alérgico a substâncias normalmente inócuas, como pólen, bolores, ácaros da poeira doméstica, alérgenos epiteliais e outros alérgenos ambientais.

A incidência é de aproximadamente 3 a 15% da população canina, relatada como a segunda dermatopatia alérgica mais comum. As raças de maior predisposição são: Boston Terrier, Bulldog Inglês, Setter Irlândes, Pug, entre outras.

O Bulldog Inglês, em um estudo de 2007, ficou em quarto como a raça de maior predisposição.

A idade de estabelecimento do sinais clínicos é de 6 meses a 7 anos, mas no início os sinais podem ser tão brandos que podem passar desapercebidos.


O sinal clínico observado é o prurido (coceira), mas o Bulldog Inglês apresenta eritema (vermelhidão), edema e outras lesões cutâneas secundárias e pouca coceira.



Dermodicose

Conhecida também como Sarna Demodécica é uma doença parasitária inflamatória de cães caracterizada pela presença de números maiores do que o normal de ácaros demodécicos. A proliferação inicial de ácaros pode ser devido ao distúrbio genético ou imunológico. O agente etilógico que causa a doença é o ácaro Demodex Canis e a maior predisposição de ocorrência é em cães púberes, ou seja, que já atingiram a puberdade. Determinadas raças apresentam a enfermidade muito mais frequente que outras. O Bulldog Inglês, por exemplo, esta entre as 10 raças mais predispostas.

A doença é dividida em duas formas: a juvenil localizada e a adulta generalizada. Importante registrar que o demodex canis é um habitante natural da pele de todos os cães do planeta que apresentem sinais clínicos da doença ou não. A fase jovem do bulldog e as inúmeras oscilações que o seu sistema imunológico poderá sofrer até a sua completa formação são, da mesma forma, super aproveitadas pelo demodex.

Entre os cães jovens, vê-se uma maior incidência em fêmeas justamente no período que antecede o primeiro cio, quando o organismo sofre uma descarga hormonal muito grande. Nessa ocasião, oportunamente o ácaro poderá se manifestar através de pequenas e localizadas lesões na pele. O mesmo se pode dizer dos machos que passam pela fase de puberdade. Mesmo sem ter um evento marcante como o cio das fêmeas, no macho há também uma “explosão hormonal”, pois, também nesta idade (de 9 a 12 meses), o cão torna-se apto a reproduzir (maturidade sexual).

De todas as possíveis causas, a imunodepressão causada pelo manejo equivocado é a grande responsável pelo surgimento dos sinais clínicos da sarna demodécica juvenil e localizada na raça Bulldog. Entre outras causas de imunossupressão que podem acarretar um quadro de demodécica estão: desnutrição, traumatismos, ansiedade de separação, fadiga crônica, estro, parto, lactação, parasitismo, crescimento rápido, vacinações, temperaturas ambientais adversas e doenças debilitantes.


A forma juvenil e localizada da doença é considerada benigna e, na grande maioria das vezes, não requer tratamento (auto-limitante), havendo cura espontânea, já que a resposta imunológica do cão será capaz de controlar naturalmente a população de ácaros. Isso ocorrerá num período de 2 a 3 meses. Em 10% dos casos a sarna demodécica juvenil localizada poderá evoluir para a forma generalizada, cujo enfoque, por óbvio, será outro e totalmente diverso.

No caso da forma adulta e generalizada, estaremos sim diante de uma doença grave, com recidiva e de difícil e longo tratamento e que, invariavelmente, irá acompanhar o cão por toda a sua vida. Somente na forma generalizada da doença a castração deve ser indicada como forma de evitar oscilações hormonais e possível reaparecimento dos sintomas clínicos da doença.

Por isso, em se tratando de um cão jovem, com lesões localizadas, jamais se pode adotar o mesmo diagnóstico e protocolo que se teria diante da verdadeira e temida sarna demodécica.


Pododermatites

É o complexo inflamatório multifacetado de doenças que envolvem os pés dos cães e menos comumente nos gatos. Os fatores etilógicos locais podem ser comuns e relativamente fáceis de encontrar e corrigir, e as causas podem ser: infecções fúngicas e parasitárias, fatores psicogênicos, alérgicos, imunomediados e endócrinos.

Os piogranulomas estéreis nos pes apresentam causa desconhecida e são comuns em Bulldog Inglês.

A pododermatite pode acometer cães de qualquer idade, sexo ou raça, mas os machos de raças de pelo curto como o Bulldog Inglês, Dinamarquês, Basset Hound, Bull Terrier e outros, estão mais comumente representados.


Os sinais clínicos e tratamentos serão de acordo com a causa subjacente, As doenças dermatológicas apresentam desafios diagnósticos para o Médico-Veterinário de pequenos animais e nunca deve ser excluída a possibilidade de um problema especifico da raça sem uma avaliação cuidadosa de um especialista da área.Determinados nutrientes vitais, fornecidos em quantidades maiores que as ingestões mínimas recomendadas, realçam significativamente a saúde e a beleza da pele e da pelagem do cão.


A qualidade da pele e da pelagem é afetada por uma variedade de nutrientes.



Referências:

SCOTT, D.W.; MULLER, W.H.; GRIFFIN, C.E.;Muller & Kirk, Dermatologia de Pequenos Animais,5º ed. Rio de Janeiro: Interlivros, 1996.

LUND, E.Epidemiologia da dermatite atópica canina, 2011.

MULLER,G.H.;KIRK,R.W.; SCOTT, D.W. Dermatologiados pequenos animais, ed 5, 1996.

Gilberto Medeiros - Canil Reserva do Rei.



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